sábado, 19 de dezembro de 2009
Noites escuras...
As noites sempre me pareceram muito longas, a lua perde o brilho depois de um tempo e todas as estrelas somem, o vaio escuro é profundo e intenso, como aqueles meus sentimentos tão tristes, eles parecem os seus olhos ardendo e insistindo em não deixar as lágrimas escorrerem pelo rosto.
Na primeira vez que te vi olhando a noite daquela cidade pela janela, sentindo a brisa morna balançar seus cabelos negros, eu percebi que a minha solidão era pura infantilidade ante a sua imensa dor. Seus olhos buscavam respostas, mas inconformados nada achavam, somente o silêncio era capaz de compreendê-la, e por isso eu sentia-me cada vez mais inútil.
Será que você se lembra daquela noite?
Você tinha a beleza de uma gata arisca pronta para atacar, mas era óbvio que como um animal abandonado a própria sorte sua busca era apenas de um novo lar para se aninhar, seu olhar altivo escondia sua tristeza de ser deixada para trás e aquela falta de medo nada mais era que uma mentira que você mesma quase acreditava, como se fosse capaz de desafiar o desconhecido, porém, eu sabia que você estava assustada, magoada com a vida, que nunca lhe quis.
A fumaça do cigarro subia serena e seu rosto era tranqüilo, no entanto, era fácil ver que sua alma possuía marcas profundas e que algumas feridas ainda sangravam lentamente. Por um instante achei que fossemos iguais, que sentíamos dores irremediáveis, mas eu logo percebi que isso não era verdade, eu era ainda inocente.
Fiquei encantada com toda aquela atmosfera que te rodeava, um mistério que me impedia de ver realmente quem você realmente era, parecia que uma névoa musical a envolvesse, mas você jamais foi capaz de cantar o que aquela melodia lhe sussurrava nos ouvido. Eu sei que você está com medo de olhar nos meus olhos e sorrir, eu também tenho medo.
No final, eu nunca fui capaz de te entender porque seu coração possuía uma escuridão que me impedia de ajudá-la, eu sabia também que se fosse além do que a minha própria razão permitia você certamente jogaria todo aquele sentimento de forma brutal nas minhas costas e eu seria estilhaçada, minha alma certamente seria destruída, por isso você se conteve; por isso você me protegeu. Você me defendeu de você mesma, mesmo que isso tenha lhe custado seu melhor sorriso.
Deitada a cama, ouvindo o coração dele palpita calmamente, eu me sinto segura, protegida do mundo que tanto me maltratou, como eu sempre fui inocente, como eu sempre fui frágil, estar perto dele sempre me fez se sentir segura de mim mesma, eu queria que você encontrasse a paz que sua alma tanto busca, assim como eu. Os cabelos dele estão desajeitados e um de suas mãos segura a minha sem tremer ou hesitar, mesmo assim, ele não pode compreender o quanto estou quebrada por dentro.
Naquela noite em que você fumava olhando com serenidade o turbilhão da cidade seu sorriso foi somente para mim e finalmente ouvi você cantar, você deixou que aquela tristeza deslizasse por sua garganta através de uma letra arrebatadora que me trouxe de volta para a minha vida. O som da guitarra, a sua voz rouca e os meus olhos atentos fizeram daquela noite única e inesquecível.
Por favor, cante mais uma vez para mim, deixe-me ouvir todo o seu sofrimento escapar pelas melodias que vão penetrando no coração e inundando a alma de emoções desconhecidas. Pois, por mais que eu escute solos de guitarras ou baterias, nada desde aquela noite foi capaz de me fazer flutuar entre o Céu e o Inferno e descobrir que o Paraíso era feito de pequenos milagres que aconteciam todos os dias, era naquele pequeno apartamento onde o som da sua voz ecoava por todos os cantos.
Será que você pode cantar mais uma vez aquela mesma música? Ou será que você se esqueceu da sua promessa? Será que seus olhos encontraram as respostas que tanto almejaram naquela estranha noite sem estrelas?
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Passado...
Eu não sei ao certo porque o tempo parou justamente naquele momento, não entendo como isso aconteceu, eu tinha tantos sonhos e desejos, embora todos fossem apenas besteiras de uma jovem sem qualquer conhecimento da vida, a verdade é que quando percebi os anos já haviam desaparecido, os dias já não existiam e as horas se esvaíam. Minha chance de voar para o mais alto dos céus se foi para sempre, ficando para trás.
A campainha está tocando, nunca gostei muito do toque, mas ele sempre achou convidativo, deve ser a vizinha reclamando que o som está alto, que o barulho é infernal, mas por mais que a música ressoe nos meus ouvidos, ela não é capaz de penetrar na minha alma, a culpa talvez seja sua, que me ensinou a sentir a música com todos os meus sentidos. O celular está vibrando, não tenho intenção alguma de atender, deve ser provavelmente alguém precisando de mim, ou alguém apenas querendo ouvir a minha voz, mas não estou com vontade de falar. De qualquer forma, sinto que não tenho ninguém para quem ligar...
Não é que eu não tenha amigos ou pessoas queridas, tenho tantos quanto gostaria de ter, posso dividir com todos eles os meus sonhos e realizações, mas no final, eu sou apenas uma caixa fechada com cadeado atirada no fundo do mar... Ninguém é capaz de me entender realmente, ninguém pode conhecer o que sou... Talvez por isso eu sempre me afaste das pessoas ou mesmo evite dizer o que sinto, tenho medo que os olhos curiosos de pessoas puras vejam o mais profundo da minha alma e descubram o quanto sou vazia e sem sentido algum.
A campainha parou... Desliguei o aparelho de som. Cansada do celular, o joguei dentro da gaveta e fechei. Deixei o computador ligado... O cursor está piscando esperando mais algumas linhas, mas não estou com vontade de escrever, sei que tenho que entregar este trabalho pela manhã, mas talvez seja melhor desistir de escrever sobre coisas das quais eu não gosto.
Sentada nesta cadeira, confortável e olhando a minha volta, eu consegui tantas coisas, conquistei tantas alegrias e tristezas, mas ainda sim me pergunto: “Onde está a vida que eu tanto almejei?”
Uma chuva fina cai do outro lado do vidro fazendo um barulho bem suave, parece que a noite vai ser longa, assim como todas as outras. A água da banheira está quente, fervendo de lembranças, sinto como se ela me abraçasse com carinho, queria que pudesse recomeçar tudo o que já vivi, mas certamente cometeria os mesmo pecados de antes, não importa o quanto eu recrie em minha mente todos os meus passos, creio que acabaria assim de todas as maneiras. No final, acredito que só temos uma vida para viver, uma única oportunidade de sermos felizes.
Você se lembra da primeira vez que eu te vi? Lembra-se de como nós éramos... De como eu era? As idas e vindas da minha vida arrastavam-me e eu, volúvel e sensível como sempre fui me deixava levar, sendo destroçada pelas coisas que eu não entendia. Naquela época eu estava tão triste, sozinha e sem qualquer motivo para continuar a olhar para cima e querer continuar, mas a sua música encheu todas aquelas tristezas com um sentimento que eu nunca havia sentido antes, era como se você fosse capaz de cantar tudo o que eu sentia.
Nas noites de sofrimento você segurou a minha mão forte e eu comecei a enxergar as cores deste mundo monocromático, ainda sinto como se você enchesse tudo o que sou, mas será que eu fiz alguma diferença na sua vida? Eu sempre fui tão dependente dos outros, mas você me deixou tão solta que eu não sei se você ainda se lembra de mim.
Pela manhã eu fui até o nosso antigo apartamento para pegar aquele velho quadro que estava no seu quarto, aquele que você comprou no antiquário. A verdade é que me doeu um pouco ver todos os armários vazios, o pequeno sofá está empoeirado e as camas sem os colchões, apenas esquecidas lá, sujas e sem vida. Olhei pela janela e pude ver os prédios que tanto me acostumei a ver. Fico a me perguntar o porquê de você ter deixado aquele velho quadro para trás.
Talvez por ter ido até lá, sentado no chão, como da primeira vez, e me sentido tão sozinha, como da primeira vez, eu tenha permitido que todas aquelas lembranças que achei ter guardado no fundo da memória saíssem me fazendo chorar um pouco. Você sempre me disse que eu era chorona.
Logo ele estará em casa novamente, sinto tanto a sua falta, preciso tanto dele aqui e agora. Eu sei que vou chorar ainda mais nos seus ombros, pedindo que ele me ame como se isso fosse a única coisa que pudesse me consolar, mas mesmo envolvida pelos seus braços eu sei que ele jamais irá me entender, jamais irá compreender o quão difícil foi chegar até aqui.
A água está realmente agradável.
Você se lembra da promessa que nós fizemos? Amanhã fará cinco anos, acho que talvez você não possa cumprir com sua palavra, embora você sempre tenha sido, de nós duas a mais esperta e corajosa, acho que não poderá fazer mais nada por este laço que nos une.
Tenho visto muito você na televisão e nas lojas vejo seu rosto constantemente e por mais que eu saiba que há muitas feridas escondidas por debaixo daquele seu sorriso encantador e de toda a sua beleza de mulher, ainda sim não entendo como não me sinto feliz. Sei que você só está seguindo o seu caminho, aquele que você lutou tanto para prosseguir, mas... Será que você não pode olhar um pouco para trás? Será que você não pode ver que estou aqui, gritando por você?
Desculpe... Acho que estou sendo egoísta, como sempre fui...

Esperando...
Por que eu não aprendi quando você saiu da minha vida que seria um erro continuar esperando... Mas eu sempre esperei e isso já era inerente a mim mesma, eu o procurei em outros que nunca foram parecidos com estes olhos negros que me cobriam de cobiça e de angústia, eu continuei de pé, de cabeça erguida e desviando o olhar quando sentia que você me encarava novamente. Será que só você não viu a minha alma sangrar ou meus olhos verterem lágrimas cristalinas? E eu sabia também que você ia e vinha e isso me doía bastante, será que eu não aprendi a ver o que você é sem perder o chão? Por que esta sensação de estar perdida? Por que as minhas feridas não se fecham e meus olhos não param de te procurar? Eu ainda sinto a mesma coisa que antes, quanto mais penso na possibilidade de ver você novamente, mais forte meu coração bate, mas, mais medo eu sinto de que da próxima vez que você partir eu não sobreviva.
Quando o sol surgiu depois da chuva, quando a lama acumulou-se nas botas e os restos de uma noite inteira esperando por alguém que não regressaria, eu vi você no horizonte, acenando, voltei a vida. Estava lá, sereno, andando em minha direção, sorrindo como aquele jeito irritante de que não se lembrava da noite anterior, vinha com seus trajes escuros, com seu olhar sóbrio e embriagante, cada passo fazia meu coração acelerar, você sabia que eu ficaria ali, desde o inicio, você sabia que eu esperaria por você.
O ódio misturou-se com o desejo, a volúpia fundiu-se com a cobiça e já não era mais amor o que eu sentia, mas a vontade de tê-lo inteiramente só para mim e este, com toda certeza, foi o maior dos meus erros.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Conto 1
Você me prendeu entre a parede e seu corpo e cada parte de mim o desejava, buscava suas mãos, seus beijos e todo seu ser, seu cabelo tinha um cheiro de colônia forte e aquele olhar que eu nunca consegui compreender perdido entre o que desejava e o que não poderia ter. Os movimentos tornaram-se intensos, tudo o que eu era querendo você, minhas pernas tremiam, você segurava-me com força. Senti penetrar em mim com força, tão desejoso, até que não pudemos mais respirar.
...
Às vezes, parece que a noite é mais longa do que podemos supor, sinto que perco um pouco de mim quando estou sozinha, como se a escuridão preenchesse a minha alma e eu ficasse assim, como estou; sem ter com quem compartilhar meus pensamentos.
O apartamento não é grande, mas parece que tudo o que sou está nele, meus livros, a geladeira quase vazia, a cama desarrumada e a sala cheia de coisas inúteis, a televisão e o computador ligados o tempo todo, sempre estou diante do trabalho, escrevendo enquanto escuto sobre alguma tragédia pelo jornal da noite. O sofá branco não combina com o tapete e a taça de vinho está quase vazia, a garrafa ainda está pela metade, talvez eu beba a noite toda.
O trabalho está quase finalizado, mas sinto como se alguma coisa estivesse inacabada. Pela manhã recebi a notícia que tanto esperava, minha transferência havia sido aceita e logo eu estaria indo embora daquela cidade cheia de passado que eu queria esquecer. Acho que acabei cansando de ver as mesmas pessoas, de ouvir as mesmas mentiras e de contar as mesmas histórias, eu precisava da minha vida de volta.
O celular tocou quando desliguei o computador e deitei no sofá pensando em tomar o resto do vinho, os pés estavam cansados por ter usado salto o dia todo, andando de um lado ao outro sem parar, minha cabeça doía um pouco e um olhar triste pairou sobre mim.
_Alô... – disse atendendo sem ver quem era, estava tão distraída com meus problemas, refazia o seu dia mentalmente, tinha certeza de que estava se esquecendo de alguma coisa, mas o que era eu não conseguia me lembrar.
_Como vai? – aquela voz cheia de energia, cheia de tranqüilidade, fiquei feliz em ouvir uma voz amiga depois de um dia como aquele. – Vamos beber alguma coisa, quer ir? – convidou.
Fazia muito tempo que eu não saia com amigos que realmente gostava, eu sempre estava sorrindo para chefes irritantes, indo a almoços de negócios, jantares estúpidos para agradar algum cliente, conversando o dia todo sobre trabalho, precisava de um pouco de alegria para preencher aqueles últimos dias que ficaria naquela cidade cheia de pesadelos que eu não queria encarar.
Aceitei o convite, não havia razões para dizer não. Verdade que já havia bebido meia garrafa de vinho, mas queria tanto ver aqueles amigos que pensei ter esquecido, mas que, estranhamente não se esqueceram de mim. Passei pelo meu gato, que estava preguiçosamente deitado no corredor e sorri para ele, era um animal vira-lata que adotei para não me sentir tão sozinha e ele era sempre tão carinhoso.
Passei pela cama e por um instante cogitei de deitar e dormir, esperar que aquela semana terminasse, mas resisti a tentação, mesmo porque, aquela cama estava tão vazia desde que havia terminado meu namoro há duas semanas. Já havia me acostumado a dormir do lado esquerdo, de sentir seu calor pela manhã, de ouvir o celular dele tocando irritante enquanto me beijava. Suspirei.
Eu não gostava dele de verdade, isso ele sempre soube, mesmo assim me aceitou como eu era e fui eu que o tirei da minha vida, não queria que ele ficasse na esperança de que eu assumiria um compromisso mais sério com ele, principalmente porque, meu maior plano de fuga daquela cidade estava se realizando, eu não poderia deixar um laço para trás, isso me obrigaria a olhar constantemente para aquele lugar que queria tanto abandonar.
Liguei o chuveiro e a água morna molhou meu corpo nu. Seios médios, eu estava no peso certo, barriga lisa e pernas grossas, bunda bem cuidada. Não era uma mulher exótica, tenho o que qualquer mulher tem: peito e bunda, pernas mais macias e um jeito um pouco mais suave de agir. Cabelos longos e castanhos como os olhos, mãos e boca pequena. Enquanto sentia a água percorrer todo o meu ser, ia pensando no que não queria. Naqueles momentos sentia falta de alguém para me acariciar, de me beijar, de me tomar como uma mulher, como queria que ele estivesse ali, com suas mãos grandes a se aventurar em cada parte de mim, experimentar aquele seu beijo, massagear meus cabelos e ouvir os seus gemidos.
Vesti a bota e um vestido que tinha e que não usava há muito tempo, nada exagerado, um decote simples. Olhei para o meu gato, ainda estava deitado, ele sempre foi tão sossegado e era o único que estava comigo há mais de três anos sem reclamar e sem olhar para mim com indiferença.
O bar era realmente perto do prédio, em poucos minutos já estava sentada na mesa tomando um drinque e agradecida aos dois rapazes da frente que pagaram para mim a bebida. Nunca fui de paquerar, não isso é mentira, eu realmente gostava de paquerar. O jogo de sedução sempre me agradou muito, olhar para aqueles homens, imaginar perversidades, fazer com que eles pensassem a mesma coisa, prometer coisas que nunca faria, rir de suas piadas idiotas, deixar que eles acreditassem que eu estava sendo seduzida, quando quem seduzia era eu... Jogos... Malditos jogos que eu criava para me satisfazer.
Bebi o drinque e continuei a olhar para os dois, realmente eram bonitos, de olhos intrigantes e belo corpo, parecia que haviam acabado de sair de alguma reunião, já que carregavam seus computadores e ainda estavam de gravata e terno. Homens de terno sempre ficam tão lindos e cheios de postura. Não demorou muito e foram embora, mas lembro que o garçom me trouxe o telefone de um deles, quem sabe eu não ligasse mais tarde, quando estivesse me sentindo sozinha e precisasse de alguém para me divertir. Admito que sempre fui muito impulsiva.
Pensei que estava ali há uma eternidade, havia muitos casais no bar, um grupo de mulheres conversando em voz alta, pareciam listar todos os defeitos masculinos, mas eu só conseguia pensar em um: são todos interesseiros. De resto não havia defeito algum que não fosse suportável, mesmo porque todos nós possuímos defeitos, principalmente as mulheres, como somos tão imperfeitas...
Já estava me chateando quando ouvi a voz do rapaz do celular falando alto. Sinalizei a mesa e ele veio em minha direção. Não estava só, na verdade, havia mais gente do que eu supus; o quê não era ruim, todos ali eram maravilhosos, cada um do seu jeito, cada um com a sua própria vida.
Cumprimentaram-me e depois se sentaram. Acho que tinha duas amigas minhas com seus respectivos namorados, o meu amigo e mais dois rapazes que eu conhecia apenas de vista, todos com sorrisos e cheios de novidades. Uma delas iria se casar em breve, estava feliz em saber disso, toda mulher quer se casar um dia, até eu penso nisso às vezes, mas somente quando estou em algum devaneio. Um deles comentou que sua namorada não pode ir, lembro que meu amigo riu dizendo que ela era muito bonita para um cara como ele. Ao final, todos tinham motivos para beberem e rirem.
Foi quando ele chegou.
Poderia não ter ido. Ele era o mais complicado para mim. Sempre fomos amigos, desde muito tempo, não uma amizade que começou tão simples, eu na verdade o odiava quando ele era mais novo, ele sempre me achou uma chata, acho que ele ainda acha isso de mim, mas agora me suporta.
Sentou-se na minha frente, como sempre fazia e virou a conversar como se nada tivesse acontecido. Mas que raiva, minhas pernas tremeram um pouco mais do que deviam e meu estômago gelou, a bebida pareceu esquentar e meu rosto corou um pouco, sempre aquela reação irritante, eu deveria parar de gostar dele, deveria esquecer que ele existe, mas como? Aquele jeito de levar a vida tão seu, tão livre, suas características tão marcantes, tudo me influenciava. Eu passei a gostar de uma série de coisas porque ele também gostava, passei a odiá-lo por mudar sem saber algumas coisas em mim.
O assunto ainda girava em torno do que eu sempre tentei evitar, casos, namoros, romances e todos os tipos de coisas que isso pode gerar. Até que alguém perguntou sem saber que isso me deixava constrangida.
_E seu namorado?
_Terminamos há duas semanas – respondi com naturalidade. Ele parecia indiferente a isso e como não estaria? Ora, ele não tinha nada a ver com isso, talvez nem soubesse que eu estava com um cara, isso já era de esperar, mas por que ele tinha que agir como se isso não fizesse diferença? Será que sabia que eu namorava só para ver se encontrava em outros, aquilo que descobri nele? Provavelmente não. – Tenho alguns planos em andamento... Não posso mais ficar com ele... – disse como uma justificativa que só eu acreditava ser verdade.
_Já era de esperar. – alguém comentou. – Desde que eu te conheço você não fica com um cara por mais de alguns meses. – disse apenas como um comentário. Até que eu não fiquei ofendida, não era mentira alguma dizer isso, era a mais pura verdade, mas a culpa não era minha, o culpado estava na minha frente, tomando sua bebida e olhando para a mesa onde o grupo de mulheres estava. Que vontade de dar um chute nele. Mas quanto mais pensava em bater nele, mais queria beijá-lo e tê-lo em meus braços, isso sim me deixava irritada.
_Ela nunca amou ninguém. – ele disse voltando-se para mim, isso sim me ofendeu...
Eu sabia que aquilo era uma provocação, era sempre assim que ele agia, como se eu fosse o problema de uma pergunta, como se eu tivesse sempre errada e ele tivesse que dizer isso na frente de todos. Por que será que ele não conseguia perceber que havia sido ele que havia me viciado em relacionamentos curtos e intensos, foi com ele que aprendi a não gostar por muito tempo, a mudar meus pensamentos apenas para me satisfazer, a buscar meu prazer em outros homens enquanto desejava apenas um, como ele era um hipócrita sabendo dos meus sentimentos e me ignorando desta maneira.
_Tem certeza disso? Como poderia saber. – respondi tomando um gole da cerveja. Se fosse arsênico seria melhor, eu queria morrer de raiva. Claro que ele queria me irritar, se divertia me encurralando em seus jogos de sedução e conquista e eu como uma idiota sempre caia em suas armadilhas.
_Porque nos conhecemos há muito tempo e eu sei que você só usa estes caras para se divertir. – ele deu a cartada final. O que fazer? Eu poderia continuar a discussão enquanto todos observavam ou poderia aceitar o que ele disse.
_Não sou mulher de dar explicações da minha vida, se é isso que você acha não posso mudar o que você pensa. – respondi em mais um gole de bebida e olhando para o lado procurando desviar o olhar que já me consumia em seus desejos.
_Deste jeito você parece uma mulher de poucos escrúpulos. – encerrou a conversa. Eu sabia que ele só queria me fazer brigar, mas porque isso, sempre que nos víamos com outras pessoas ao nosso redor ele agia daquela maneira, como se eu fosse uma desconhecida com quem ele podia se divertir sem ferir meu coração, mas a minha alma estava cheia de dor com suas palavras.
_Você não é muito diferente. – alguém veio em meu socorro... A discussão acabou ali. Eu sequer me atrevi a continuar com aquele assunto, me irritava muito saber que ele estava ali, na minha frente e eu não podia tocá-lo, por que era sempre assim... Sempre um eterno jogo de poderes... De quem pode mais...
A conversa tomou outro rumo, talvez o motivo tenha sido obvio, discutiríamos se continuássemos falando sobre coisas que não entendíamos muito bem, de qualquer forma, lembro de ter dito algo sobre meu trabalho, escutado as aventuras de um dos rapazes e até mesmo as reclamações de uma das garotas, falamos sobre o tempo, a vida, as aspirações, as vontades e as viagens, nada de importância, mas como éramos jovens, tudo aquilo tinha relevância, muito mais do que realmente era.
Quando dei por mim já era tarde, tarde para voltar ao trabalho e cedo para ir deitar, então, prosseguimos por mais um tempo, acho que bebemos mais do que deveríamos, de qualquer forma aqueles olhos continuavam desviando dos meus, seus gestos e falas evitavam qualquer aproximação, aquele era o jogo que eu mais odiava: fingir que eu não existia. Eu estava ali, na frente dele, querendo nada mais que um sorriso ou um olhar, como eu era estúpida desejando alguém daquele jeito, eu sabia muito bem que as coisas não eram tão simples como pareciam.
Depois de pagar a conta era obvio que cada um seguiria seu caminho, como eles haviam ido em grupo, certamente iriam juntos para casa, mas eu estava sozinha, não que isso fosse novidade, eu sempre estava sozinha, não porque não havia ninguém para amar, era porque já havia desistido de dividir a cama com alguém que não amava... Amar... Amava com toda certeza uma pessoa, uma pessoa que preferia odiar, então, todos os outros eram paa mim como eu era para ele, apenas uma diversão por um tempo...
_Precisa de carona? – um dos rapazes perguntou. Até que eu aceitaria, mas não estava bêbada suficientemente para pedir ajuda, além disso, depois de vê-lo eu precisava caminhar, andar um pouco para espairecer, de qualquer forma, não haveria trabalho no dia seguinte, então não haveria problema chegar mais tarde em casa, mesmo porque, eu não poderia dormir tão cedo depois daquela discussão.
_Não obrigada. – respondi despedindo-me dos outros e caminhando em direção ao prédio, talvez fosse pelo caminho mais longo, assim eu poderia pensar um pouco mais, eu sempre caminhava quando queria refletir sobre alguma coisa, e o que mais queria era lembrar de todos os momentos que já tinha passado com aquele homem que eu tanto tentava evitar, mas que as vezes aparecia na minha frente e me fazia sentir um desejo ardente queimar por dentro.
Acho que andei por alguns minutos antes que um carro encostasse. Ele estava lá, com seu olhar mudado, como era de costume, na frente dos amigos eu era a estranha mais complicada que ele conhecia, quando estávamos à sós eu até que era uma criatura afável.
_Entre, vou te dar uma carona. – disse. Aquilo foi uma ordem ou um pedido, até hoje eu não entendi ao certo, e mesmo que fosse uma sugestão eu não queria aceitar, sabia muito bem que tipo de convite era aquele, mas, como sempre, eu não sabia ao certo o que fazer...
_Não quero. – respondi abaixando-me um pouco para poder ver melhor seu rosto, aquela cara tão irritante, o sorriso suave no rosto, a barba feita e o cabelo com um penteado que eu nunca compreendi, de qualquer forma, por que aquela sensação de que estava sendo seduzida? Provavelmente estava.
Olhei para seus olhos negros e quase pude ver o que ele pretendia, de certa forma era o que eu também queria, no entanto, creio que eu queria muito mais do que ele pretendia e o que ele me dizia não era suficiente para me satisfazer.
_Você está sóbria, não é? – ele se apoiou no volante e deu aquele sorriso que eu odiava porque não era capaz de resistir. Também abri um sorriso, quando ele queria era muito agradável e sabia exatamente o que eu queria ouvir. – Prefiro você assim. – completou, foi suficiente para que eu quisesse entrar no carro.
_Vou a pé. – resisti mais uma vez. Tenho certeza que ele percebeu que estava fazendo charme porque não disse mais nada, apenas olhou para frente e esperou, esperou como sempre, daquele jeito que eu já sabia que faria. Que irritante... Mas eu era a tola da história.
Sentei no banco e fechei a porta. O carro saiu e ele manteve o silêncio, eu não entendia porque ele sempre ficava calado quando estava dirigindo, mas creio que homens são assim. E é por estes mistérios indecifráveis que eu ainda penso que ele nunca vai mudar.
Olhando para o lado de fora, pela janela, via as luzes passarem, acho que ele tomou o caminho mais longo, sinceramente nem quis saber o porquê, ficar ali, ao lado dele depois de tanto tempo me fazia lembrar algumas coisas, algumas que me incomodavam um pouco. O som era de uma banda conhecida, mas não me recordo que música que era, não faz diferença alguma hoje.
Enquanto aquela sensação percorria o meu corpo, lembrei de quando éramos mais novos, lembro que ele sempre dizia que eu era uma chata, mas eu não dei razão naquela época porque o considerava irritante, sabe, quando era mais jovem eu não era capaz de vê-lo, não como ele era, nem ele me enxergava. Acho que agora que crescemos, ou pelo menos não somos mais tão crianças, bem, acredito que eu realmente era uma chata e ele, bem, irritante.
Às vezes penso se ele um dia ficará cheio de raiva ao se lembrar de mim, talvez não seja ruim este sentimento, pelo menos seria algum sentimento.
Alguns pingos de chuva batiam no vidro, sorri ainda olhando para fora, será que eu nunca aprenderia? Enquanto ele dirigia a única coisa que eu pensava era tê-lo por cima do meu corpo, percorrendo suas mãos em mim, beijando cada pedaço da minha pele, como eu odiava aquele pensamento, mas era o que eu queria e não poderia evitar.
Isso me fez lembrar a primeira vez em que dormi com ele, foi uma boa recordação. Mas por que será que estava pensando nestas coisas? Por que estava demorando tanto para chegar ao prédio? Será que ele não poderia dirigir mais rápido? Eu desejava sair logo daquele carro, queria fugir desesperadamente daqueles sentimentos.
_Faz tempo que não vejo você – ele resmungou parando o carro. Como assim já havíamos chegado no prédio? Agora que eu queria ouvi-lo não tinha mais tempo.
_Você sabe por que não nos vemos, não é? – eu disse destrancando a porta.
_Sei. – ele respondeu. Claro que ele sabia, ele mesmo havia me dito o motivo tempos a trás, ele disse que não me via tanto quanto eu queria porque não me amava e não pensava em mim e por isso não nos víamos tanto quando poderíamos. Isso era um pouco incomodo. Fiquei chateada por um tempo por saber que ele não gostava de mim, que sequer pensava em mim, mas depois de um tempo eu entendi exatamente o que ele queria dizer, porque no final eu também não sentia o que dizia sentir. – Por que você insiste nisso? – ele completou.
Eu insistir? Será que era tão difícil perceber que eu o desejava? Eu o queria sobre meu corpo, queria estar em cima dele, queria tocá-lo mais um pouco e sentir seu veneno percorrer cada parte de mim, fazendo meus pelos se arrepiarem. Queria que ele me visse como sou, uma mulher cheia de desejos e volúpia, que o desejava ao seu lado da cama.
_Não importa. – sai do carro e olhei para ele. Doía um pouco vê-lo ali, diante de mim, eu nunca gostei de sentir este sentimento por ele, mesmo sabendo que não era correspondida, ainda sim sentia aquela emoção que não saia de mim.
_Posso subir? – perguntou repentinamente. Eu tinha certeza que ele perguntaria aquilo, a sua intenção sempre foi aquela, me levar para cama, somente para ter certeza que eu ainda o conhecia, que ainda sabia satisfazer seus desejos. Mas é claro que eu o conhecia...
_Se quer uma mulher, vá atrás de outra. – respondi irritada. Claro que se ele insistisse um pouco mais, se sorrisse com um pouco mais de sinceridade eu lhe daria o que ele queria e com toda certeza ele sabia disso.
Mas não houve sorriso, ele segurou a minha mão e me fez sentar novamente no banco, senti quando seus braços me envolveram e seus lábios tocaram os meus, como sempre, daquele jeito sufocante, embriagante, eu sequer consegui respirar, foi rápido, foi o que sempre foi, o suficiente para que eu o desejasse mais um pouco.
Quando ele se afastou esbocei um tapa, mas como bater naquele que eu amava? Seria como dizer uma mentira, o que eu mais queria era que ele se deitasse mais uma vez comigo, queria que ele ouvisse meu coração bater rápido e meus gemidos enquanto tomava todo o meu corpo para si.
_Por que fez isso? – perguntei sem saber se o que questionava era porque ele havia parado ou porque havia começado aquilo... De qualquer maneira, como sempre ele me deixava confusa...
_Porque eu quis. – respondeu. Resposta que eu já esperava de alguém como ele, como tinha coragem de ser tão cafajeste? Ou melhor, ainda, porque eu ainda me surpreendia com aquele tipo de coisa? Será que não vou aprender a minha lição? Quem brinca com fogo pode se queimar...
Fiquei um instante, muda e sentada no banco do carro, olhando para ele daquele jeito tão meu: um jeito de dúvida e ao mesmo tempo certeza, por muitas vezes eu me perguntei se era tão fácil ler meus pensamentos, mas acho que só ele era capaz de fazer isso, os meus namorados nunca conseguiram ver além do que eu demonstrava.
_Você se lembra de quando éramos mais novos? – perguntei desviando o olhar e esperando aquela mesma resposta de sempre, mas foi uma surpresa ter sentido um suspiro desanimado, aquela não era a expressão que costumeiramente via em seu rosto.
_Por que você se lembra destas coisas? Não se importa realmente com o que eu penso não é? Será que não liga se... – ele começou a falar, eu sabia muito bem como terminaria aquilo, ele diria que só queria dormir comigo, que não me amava, que não pensava em mim, que não gostava de verdade de mim, mas eu não havia perguntado aquilo... Só queria saber se ele se lembrava...
_Você se lembra? – insisti. E ele passou a mão no meu cabelo e eu estremeci.
_Sim... – respondeu como num sussurro. – Éramos um pouco inconseqüentes. – e aproximou-se do meu rosto, eu estava ardendo, queria tanto tê-lo, mas precisava tanto saber... Será que ele se lembrava da primeira vez que dormiu comigo? Será que ele lembrava como era algo bom ouvir seus gemidos? Ah... Como eu queria vê-lo tão vulnerável como antes... Mas havíamos mudado.
_Você sabe por que eu insisto nisso? – perguntei levantando do banco e tentando me afastar daquelas mãos que passavam por minhas pernas e sentindo o meu calor aumentar.
_Não. – e olhou como se prestasse atenção no que eu dizia.
_Porque eu ainda sinto a mesma coisa de tempos atrás. – disse fechando a porta.
A pergunta sempre foi o que eu sentia por ele e o que ele sentia por mim. Uma vez eu lembro de ter dito a ele tudo o que eu sentia e ele apenas foi capaz de dizer que não estava comigo porque não me amava de verdade e achava que isso não era justo comigo, com meu coração. Acho que no final ele tinha razão e eu percebi que o que eu sentia por ele era algo bem fútil, eu só queria que ele ficasse comigo, que dormisse ao meu lado, às vezes, sem querer tê-lo o tempo todo junto a mim. Claro que eu nunca lhe disse que havia entendido o que ele queria dizer, mas no final eu realmente me sentia envolvida por ele.
Quando ficamos juntos, pela primeira vez, eu sabia que era só aquilo que eu teria dele, ele não poderia nunca ser meu e eu nunca me entreguei por completo a ele, foi difícil admitir isso, mas foi mais difícil ainda deixar que ele entrasse e saísse da minha vida sempre que quisesse, eu nunca lhe disse “não” e ele nunca me proibiu de experimentar coisas que queria. Ao final, trocávamos experiências, saber até onde cada um poderia ir sem desviar o olhar.
Creio que ele foi o primeiro a desistir deste jogo, mas eu não quis tentar continuar, sempre respeitamos um ao outro, este respeito sempre me fez mal, porque no fundo eu me sentia amada desta maneira tão fútil, eu deveria ter visto onde eu tinha errado, errei ao esperar que ele me visse. Acho que depois de todos estes anos eu havia desistido dele e ele de mim, mas ainda tinha aquele fogo...
Por noites eu pensei em seus lábios percorrendo meu corpo, fazendo arrepiar meus pelos, suas mãos acariciando meu corpo, descobrindo coisas que somente ele poderia descobrir, sentindo seu gosto em minha boca, beijando-o por inteiro, fazendo ele gemer de prazer e deixando que ele penetrasse em cada parte de mim, sentindo aquela sensação de prazer corroer todo o meu eu. Queria que ele me tomasse ali e naquele momento, queria tê-lo sobre me corpo, movimentando-se, movendo-me, fazendo-me gemer suavemente.
_Posso subir? – perguntou quando eu já estava um pouco mais afastada.
Não virei para responder, não era preciso ver seu rosto para saber que ele estava com aquele sorriso sacana de quem sabia que ia ter o que queria naquela noite e eu sinceramente não estava muito afim de desfazer aquele desejo que começava a percorrer meu corpo.
_Vou deixar a porta aberta. – disse. Não precisava dizer mais nada, na verdade, ele já estava bem habituado a isso. O porteiro sempre o deixava entrar e a porta sempre estava aberta para quando ele quisesse ir ao meu apartamento, no final, eu sempre cedia a minhas próprias vontades e isso era realmente constrangedor.
Sabia que ele demoraria um pouco, era sempre assim, como se quisesse que eu ficasse na vontade, como se quisesse estraçalhar meu coração, mas eu não me decepcionava assim tão fácil.
Enquanto pensava se o que fazia era certo ou não coloquei água na banheira e fechei a porta do escritório. Acho que ele demorou mais do que imaginei, então, tirei a roupa e entrei na banheira, uma banheira antiga que havia comprado num antiquário, era realmente uma bela aquisição.
A água estava morna e cheia de espuma, foi agravável colocar a cabeça para trás e fechar os olhos, fiquei um instante vagando por meus pensamentos, quando escutei a porta do banheiro se fechar. Lá estava ele, olhando para mim, tive um pouco de vergonha, odiava quando ele ficava me olhando daquele jeito, como se fosse capaz de ver meus defeitos todos.
_O que foi? – perguntou tirando a camisa. O que foi? Eu nem tinha convidado ele para entrar na banheira.
_Fiquei envergonhada. – respondi sem hesitar, por que esconder uma coisa que realmente me deixava corada? – Não convidei você para tomar banho, você disse que queria subir e eu deixei, foi só isso. – respondi quando ele sentou de frente comigo na banheira.
_Isso é conseqüência. – sorriu. E o jogo estava começando mais uma vez.
Senti quando suas mãos acariciaram a minha perna, deliciosamente fazendo arrepiar meus pêlos e subindo de forma sensual até chegar a parte interna da minha coxa, as mãos dele sempre foram tão quentes, intensas quando me tocavam, eu apenas conseguia estremecer suavemente. Deixei que ele ficasse assim, acariciando-me enquanto ouvia sua respiração ficar cada vez mais forte. Então, fui até ele, sentando mais próxima e deixando sua boca beijar os meus seios. Isso me dava tanto prazer, e eu sabia que ele também gostava daquilo.
Ele os sugava como se estivesse faminto, como se eu fosse tirar o prazer dele, eu segurava sua cabeça junto a mim, sentindo prazer enquanto sua língua percorria os meus mamilos, ele deu pequenas mordiscadas que atiçaram minha vontade de tê-lo naquele momento.
Senti quando num movimento rápido ele me colocou contra a outra parte da banheira e me beijou com desejo, uma vontade que eu também não era capaz de disfarçar, queria tanto que ele me fizesse sua naquela noite.
A respiração era sufocante, a água fervia mais do que parecia e cada vez mais ele intensificava os movimentos, eu apenas conseguia gemer, sentindo o prazer tomar contar de mim, sentindo toda sua vontade de se satisfazer. Ele acariciava-me, beijava-me e me descobria... Eu o queria tanto... Até que ele, eu... Já não sabia mais exatamente quem eu era ou o que era, havia me perdido entre o Céu e o Inferno...
Ele voltou para onde estava, seu olhar estava como sempre daquele jeito que eu tanto odiava, um pouco frio, um pouco vazio, mas com toda certeza cansado, exausto, satisfeito.
_Vire-se, vou lavar suas costas. – disse refazendo-me e pegando a esponja e o sabonete, passei a limpar sua pele, sentindo cada parte dele. Fazia tanto tempo que eu não o via daquele jeito tão vulnerável, como queria que ele ficasse ali comigo mais alguns instantes, senti vontade de abraçá-lo, mas não cabia naquela banheira nenhuma gota de amor. – Vou sair. – terminei e levantei.
Molhei um pouco chão, passei a mão pelo cabelo dele e afaguei, como se fosse uma criança que tem que ser mimada para que se conformasse com o banho, depois, peguei o roupão e sai. Pensei sinceramente que seria somente aquilo naquela noite, eu já o havia satisfeito, então, certamente ele tomaria banho e iria embora, como sempre fazia.
_Feche a porta quando sair. – encostei a porta do banheiro e fui para o quarto. Tirei a roupa e deitei, cansada, mas ainda sentia o cheiro de seu perfume em minha pele e isso era agradável.
Lembrei de alguns casos que havia tido naqueles últimos tempos, havia terminado um namoro a pouco mais de duas semanas, mas o cheiro daquele homem ainda estava no travesseiro e eu ainda lembrava bem do seu jeito quando dormíamos juntos, ele tinha o corpo quente e gostava de dormir com uma das pernas por cima do meu corpo. Olhei para a cômoda, lá estava uma das camisas que ele havia esquecido no apartamento, tinha que devolver logo.
Foi quando ouvi o som da porta fechar, ele já estava indo embora, fechei os olhos e me virei de lado, precisava dormir. Estava tudo quieto, mas então veio a sensação de tristeza, como sempre eu estava sozinha, para ele eu sempre serei uma boneca.
_De quem é esta camisa? – lá estava ele na minha frente. Cobria o corpo com uma toalha e segurava a camisa com uma das mãos, olhava para mim com um rosto um pouco desconfiado, como se eu estivesse escondendo alguém. Mas todos sabiam, eu nunca esconderia nada dele, eu não conseguiria.
_Não é dá sua conta. – respondi puxando o roupão e cobrindo meu corpo, não queria que ele ficasse olhando para mim, não daquela maneira tão perversa, será que ele só conseguia me ver como um objeto de desejo? Talvez, mas isso me dava medo, porque eu queria que ele me visse assim. Queria que ele me tomasse, queria tê-lo entre minhas pernas, meus braços, beijando seus lábios.
Sentei na cama e desviei o olhar. Ele sentou do meu lado e me olhou. Como tinha raiva de quando ele fazia isso, porque eu sabia o que vinha depois, eu sabia que eu cederia aos desejos dele, era só o que eu queria. Ele ficou ali, parado e eu sentia sua respiração um pouco nervosa.
Aproximei-me e beijei seu pescoço, ele ficou arrepiado, continuei beijando e lambendo, passando minha língua por cada parte de sua pele quente, até que ele virou-se e me derrubou na cama, suas mãos seguravam os meus braços, prendendo-me e o roupão havia aberto. Ele beijou minha boca e depois desceu até meus seios, chupando-os com intensidade, eu senti um pouco de dor e, depois, prazer, como ele conseguia ser daquele jeito.
_Pensei que você ia embora. – disse em um sussurro.
_Ainda não estou satisfeito. – respondeu.
Eu já imaginava. Obvio que o motivo era somente a sensação de prazer, mas como evitar aquele sentimento de desejo que consumia meu corpo, que o fazia ser tão negligente com seus próprios sentimentos?
Eu fiquei deitada, olhando para ele, seus joelhos estavam na altura da minha barriga, ele me prendia entre suas mãos, apoiadas na cama, ao lado da minha cabeça, e eu podia encarar melhor seus olhos. Ele me observava como se quisesse minha permissão para continuar, como se perguntasse o que eu queria com ele naquela noite, mas eu também tinha esta mesma pergunta...
Fiz um sinal com a cabeça e abri a boca esperando o beijo, aquele beijo que ele sempre me dava antes de fazer qualquer coisa, antes mesmo de chegar perto de mim, eu exigia que ele ao menos fosse carinhoso, ao menos isso ele me devia. Mas tenho que admitir que nunca senti seu beijo mais terno, aquele doce que eu sabia que ele era capaz de me fazer sentir. Seu beijo era hipnotizante, mas amargo... Mesmo assim, eu precisava sentir seus lábios me tocando, sua língua percorrendo o céu da minha boca e a respiração abafada, irresistível.
Então sorriu e passou a beijar meu pescoço, tão intenso, como se fosse arrancar de mim toda a vitalidade, aquele perfume que rescendia e a pele áspera roçando em mim, o suspiro enquanto o silêncio nos embalava; como era delicioso vê-lo de perto se satisfazendo. Eu soltava pequenos gemidos de prazer, queria que ele continuasse me consumindo sem parar, na sua constância.
Suas mãos acariciavam minhas costas arrepiando a nuca e eriçando minha volúpia. Sussurrei em seus ouvidos o quanto queria mais e ele correspondeu beijando o meu colo e ouvindo meu coração bater forte no peito. Sua boca foi percorrendo minha pele um pouco úmida, macia, e deixou-se observar os seios. Passou a mão pelos bicos e os fez ficarem duros, a aureola estava toda excitada e os seios ardiam como se quisessem sentir sua boca neles. A boca os sugou enquanto a mão passa por entre as minhas coxas e me fazia respirar ainda mais forte.
Por um instante hesitei, tentando escapar de suas carícias que apenas aumentavam, mas ele me segurou mais forte e olhou intensamente para meus olhos tão desejosos.
_Você não quer? – perguntou quase num sussurro que me fez perder o fôlego.
_... – não respondi, não precisava porque ele já sabia a resposta que vinha dentro do meu coração.
Ele sorriu e deslizou as mãos pela barriga enquanto beijava suavemente cada parte do meu corpo. Então pousou sua mão no final da minha costa e beijou o umbigo, estiquei todo o meu corpo com desejo, os lábios dele eram quentes e ferviam a cada toque. Eu o queria...
Suavemente ele passou seu dedo por dentro das minhas pernas, eu involuntariamente abri-me para ele, como uma flor que desabrocha, seu olhar estava compenetrado e seus movimentos começaram lentos, para que eu o acompanhasse, logo ele acelerou e eu senti uma dor profunda que foi se tornando prazerosa, até que o senti tão fundo em mim que não era mais capaz de respirar.
Movimentos rápidos, posições diferentes, respiração ofegante, suor e desejo, tudo misturado no meu lençol, esparramado pela cama e perdido dentro dos meus pensamentos. Já não conseguia mais agüentar... Perdi completamente o controle do que eu era.
...
O sol bateu nos meus olhos e despertei, esperava estar sozinha na cama, ele sempre ia embora antes do dia aparecer, mas estava deitado, com uma das mãos na minha costa nua e afundado no travesseiro, parecia dormir profundamente. Seus cabelos bagunçados, seus lábios cerrados e todo seu corpo nu estava escondido pela coberta fina.
Deslizei para fora da cama e fechei melhor a cortina para que não entrasse mais luz. Fui até o banheiro e olhei para o espelho, via aquele sorriso satisfeito que eu mesma detestava, sabia que logo aquela sensação iria sumir e eu ficaria com saudades do que ele me fazia sentir.
Entrei no escritório e peguei um documento, tinha que resolver algumas coisas, mas com ele na minha cama não conseguia pensar em mais nada. Deixei o papel na mesa da cozinha e fiz um café forte e doce, coloquei em duas canecas e voltei para o quarto.
Parei por um instante para observá-lo, pensei que ele estava dormindo, tinha uma das mãos no meu travesseiro e a outra perto da sua cabeça, a respiração era constante, tranqüila, daquele jeito que eu tanto o sentia. Não havia hesitação alguma a respeito do que ele havia feito comigo naquela noite e em todas as outras que eu o deixei entrar na minha vida.
Eu corpo era tão viril e me instigava a descobri-lo a todo instante, ele fazia com que minhas fantasias, uma a uma fossem realizadas, até que eu me esgotava e ele sentia o prazer de me ter do jeito que queria, naquela armadilha tão bem planejada para que eu caísse em suas mãos. Como eu odiava quando ele fazia aquelas coisas comigo. Era um ódio cheio de prazer, cheio de desejo que me consumia profundamente.
_Oi. – ele disse quando sentei na cama com a caneca de café.
_Oi. – respondi tomando um gole.
Ele colocou a dele na cabeceira da cama e furtivamente me roubou um beijo.
_Gosto de café doce. – ele resmungou nos meus ouvidos. Por que ele tinha que ser daquele jeito? A sua sensualidade era irritante, eu não conseguia deixar de me surpreender com cada parte de seu ser. Por que ele não me consumia logo por inteira, por que sempre me fazia desejar mais e mais e nunca terminava com aquilo? Será que gostava de torturar-me profundamente até que eu enlouquecesse? – Acho que vou querer um pouco mais. – e passando as mãos rapidamente, me despiu sem qualquer pudor, e ficou ali, a olhar para mim por alguns instantes, aqueles momentos de timidez que eu tanto receava.
Seus olhos percorreram-me até que um sorriso brotou em seus lábios. O que ele pensava? O que pretendia? Eu não sei dizer exatamente, mas cada parte de mim sentia fome dele e ele, provavelmente sentia a mesma coisa, queria que ele me devorasse, assim como eu o queria servido todas as noites na minha cama.
Passou seus lábios pelo meu pescoço e eu senti um arrepio que me fez sorrir. Coloquei a caneca na mesa de cabeceira e o abracei com força, sentindo seu coração bater igualmente ao meu. Ele não hesitou e num movimento tão sincronizado me deitou na cama e ficou por cima de mim, me olhando mais uma vez, me encarando daquele jeito que somente ele sabia como fazer, eu estava a sua mercê, e ele já sabia disso desde a primeira vez.
Senti suas mãos apalpando meus seios, enquanto eu o sentia, provei de seu veneno, ele penetrou em mim completamente. Ouvir seus gemidos pela manhã, cada vez que ele forçava um pouco mais era como seu eu pudesse sentir a dor e o alivio vindo e indo inconstantemente. Eu movia-me junto, fazendo os movimentos ficarem mais intensos. A boca dele sempre em contado com a minha pele, as mãos sempre acariciando alguma parte de mim que causava arrepios e eu sempre gemendo, sentindo aquela sensação de prazer preencher cada parte das paredes daquele quarto.
Lembro que cai exausta no travesseiro e adormeci.
Sonhei com os tempos em que éramos jovens e um pouco inconseqüentes, ele chegou a me vendar, eu a fazê-lo delirar, ele abusou de minha vontade e eu de sua paciência, eu o tomei para mim e não me importei dos riscos e ele me fez parte pequena da sua vida, e isso não incomodava a nenhum de nós, apenas nos víamos quando tínhamos vontade e isso sempre foi bom.
...
Acordei com a cortina aberta e ele amarrando o sapato. Olhei em volta, mas não disse nada. Ele deve ter me ouvido se mexer e levantou os olhos para onde eu estava, era um olhar intimidador que ele sempre lançava para mim quando algo o desagradava, e isso acontecia todas às vezes ele achava estar certo e eu tinha certeza que ele estava errado.
Tentei rebater aquele olhar frio e de vidro com um sorriso de desinteresse. Ele levantou-se e passou a mão na minha cabeça. Eu sabia que já era hora dele ir, mas tinha algo diferente desta vez, talvez eu soubesse o motivo... O papel que havia deixado na cozinha... Logo percebi e ele pareceu compreender perfeitamente o que minha mente maquinava.
_Então estes são seus planos? – ele perguntou colocando o papel no meu colo.
Sentada eu podia ver melhor aquela figura que se apresentava. Sempre com o olhar distante, alto e de porte desinteressado, esperando sempre que os outros o vissem, mas sem pretensões de ver qualquer um. Foi até o espelho e senti que ele podia me ver dali, mesmo estando de costas e desviei o olhar para o lado.
_Como sempre você sequer me comunica suas decisões. – reclamou passando a escova no cabelo.
_E isso faz alguma diferença? Você não se importa com isso que eu sei. – disse levantando e procurando alguma roupa no chão. Achei uma camiseta grande o suficiente para esconder toda a minha feminilidade. – Além disso... – Tentei dizer, mas ele voltou-se para mim.
_Você está fugindo de quem afinal? – perguntou tão próximo que sua respiração me atordoou, não precisava dizer estas coisas tão perto.
Como se ele já não soubesse a resposta. Será que aquele olhar que ele lançou para mim não seria a resposta suficiente? Eu não o queria mais perto da minha vida, tinha certeza que deste jeito ela não andaria, e eu ficaria sempre esperando de relacionamentos curtos o que eu queria com ele e isso estava minando as minhas esperanças de viver de verdade.
_Não é obvio. – disse passando por ele e indo para o escritório, aquele era o meu refúgio.
_Não. – ele segurou o meu pulso e me encarou mais uma vez. – Sou tão ruim assim? – perguntou. Não sei ao certo se ele estava falando de sexo ou de outra coisa, mas achei melhor dizer exatamente qual era o problema, afinal, eu ia embora dali alguns dias e não tinha mais motivos para não acabar de vez com aquela história tão irritante.
_Você tem razão. – respondi. Foi a única coisa que saiu da minha boca, mas acho que foi suficiente para ele. Senti quando suas mãos me soltaram. Se ele tivesse me segurado por mais um instante eu teria desistido de tudo só para confessar o que sentia, mas naquela brincadeira de arrebentar com os corações e satisfazer os corpos não havia espaço para sentimentos, só o prazer imperava e isso era um acordo tácito entre dois idiotas que brincavam de se satisfazerem.
_Vou indo. – ele disse. – Vou ligar. – pegou o celular que estava no chão do quarto e foi indo para a porta. – Você sabe, talvez você seja igual a mim e por isso as coisas são deste jeito. – ele fez uma pausa na porta e respirou fundo. Parecia querer dizer mais alguma coisa, mas hesitou por um instante. – Lembra do que você disse uma vez? – ainda sem se virar, ele segurava a maçaneta com força, procurando as palavras corretas para me destruir mais uma vez e eu sabia que era isso que ele planejava, sempre deste jeito tão cruel com o que eu sentia. – Não quero me apaixonar... Mas também tem aquela coisa que me perturba um pouco, por que você disse que ainda sente a mesma coisa de tempos atrás? Aquilo não era paixão?
_Isso... – resmunguei vencida. – É uma verdade. Não vejo problema em dizer. – falei. – O problema é que a paixão de tempos atrás não sarou. – comentei.
Eu estava de pé no meio da sala e com o olhar virado para o lado, fixado no sofá. Um pensamento passou rápido, ele tinha razão, o sofá não combinava com a cor do tapete. Mas quando voltei para onde ele estava, lá havia um homem virado para mim, olhando para meu rosto vermelho de vergonha e triste com aquele tipo de situação.
Será que ele conseguiu ouvir meu coração? Provavelmente nunca seria capaz de ouvi-lo, isso tudo era culpa minha por ter gostado de alguém como ele e ser o tipo de pessoa que jamais se abre com outros. Eu queria tanto chorar, mas aquela despedida era tão triste que seu eu derramasse uma única lágrima seria fútil demais. Tentei gritar de ódio por ele estar agindo daquela maneira.
_Pensei que você já tinha desistido de esperar algo de mim, mas parece que as minhas palavras só te feriram. – ele passou a mão no meu cabelo e ergueu a minha face para que os meus olhos contassem a verdade, ele sabia que eles não mentiam.
_Eu já desisti, mas não esqueci. – e as mãos dele no meu pulso fizeram as minhas mãos se abrirem e em movimento rápido eu o abracei, tão forte e tão possessivo como sempre fui e senti que ele me segurou forte e beijou o meu pescoço.
A falta de palavras sempre foi um problema entre nós, eu queria que ele soubesse o que eu pensava, mas eu sequer sabia o que ele queria. Senti quando ele me pegou no colo e me deitou no sofá. Beijando-me suavemente, e era aquele beijo que eu sempre esperei, doce como uma fruta de época, suave como o vento do inverno, enchendo meu corpo com um calor insuportável, me deixando a mercê de seus carinhos. Ficamos assim por um tempo e depois ele levantou-se e sorriu.
_Desculpe pelas feridas. – ele sussurrou abaixando-se ao lado do sofá, onde eu estava deitada.
_Eu vou ficar bem, não se preocupe. – disse afagando seus cabelos.
_Não me deixe sem notícias. – levantou-se e deu outro beijo na minha testa e saiu.
_Eu te ligo. – disse sentando-me no sofá assim que ele fechou a porta.
Eu podia sentir aquela dor tomando todo o meu corpo, eu sabia que seria daquele jeito, eu e ele não poderíamos nunca ficarmos juntos porque tínhamos naturezas diferentes e sentimentos diferentes, sentíamos a vida completa um com o outro e ao mesmo tempo instável. Tive a impressão que ele ficou do outro lado da porta por alguns instantes, mas mesmo sabendo disso comecei a chorar e chorei até quando percebi que ele já havia ido. Como doía, meu coração parecia ter sido roubado por ele naquele último beijo e eu sabia, ele nunca o devolveria a mim.
Enquanto sentia as lágrimas escorrerem eu lembrei de certo dia, quando estávamos deitados na cama, talvez tivesse sido ali o meu grande erro, ou talvez ele tenha feito aquilo para me afastar do seu coração.
“_Por que a gente não fica junto afinal? – perguntei deitada encostada no ombro dele.
_Você sabe que seu eu realmente amasse você estaríamos juntos, mas acho que o que temos não é amor. – ele disse um pouco sincero demais e um pouco constrangido de dizer aquilo depois de me levar para cama.
Mas eu sorri e ele se acalmou. Porém, aquele comentário doeu um pouco na honra que eu tinha.
_Parece que isso é o máximo que somos capazes de sentir um pelo outro. – comentei dando um beijo no seu rosto e levantando – Porém, isso é suficiente. – sorri indo me vestir. Nunca ficava muito tempo no apartamento dele.”
Mas eu havia mentido duas vezes em tão pouco tempo, eu não gostava quando ele dizia aquelas coisas para mim e também não era suficiente para mim que fossemos apenas um caso qualquer, não, para mim aquilo não era e nunca havia sido suficiente, por que então eu menti todo este tempo? Perguntei-me algumas vezes se eu havia agido certo em concordar com ele, mas isso só me mostrou que eu nunca fui capaz de alcançá-lo, eu era fraca e isso me atraia mais ainda para ele.
Sentada no escritório, olhando ao redor posso ver pessoas que precisam de mim, que esperam de mim aquilo que eu realmente sou, mas eu nunca fui capaz de esquecer aquele dia em que chorei, aquele momento em que a verdade foi, pela primeira vez, dita.
Eu não dei noticias, sequer liguei, não abri nenhuma das mensagens que ele me mandou, achei que seria o melhor a ser feito, deixar o passado no passado e caminhar olhando para o futuro, mas vez por outra eu ainda olho para o celular e penso nas coisas que eu tanto queria ouvir dele.
Esta manhã recebi, através daquele mesmo amigo de antes, uma noticia que me deixou pensativa, foi como se alguém cutucasse uma ferida que ainda não cicatrizou: “Ele esta namorando uma garota, parece que logo vão noivar” – esta foi a parte que mais me incomodou, mas de certa forma fiquei feliz em saber que tudo ficaria bem, porque quando não há mais esperanças é mais fácil de deixar as lembranças envelhecerem e o tempo acalentar o choro que ainda é derramado pela alma.
domingo, 29 de março de 2009
Um dia...
Meu celular tocou em algum lugar, perdido entre as roupas jogadas, mas eu não quis atender. Suas mãos ainda estavam segurando as minhas tão forte que eu me sentia segura ao seu lado, protegida dos meus próprios pesadelos. Pena que aqueles momentos de insensatez não podiam durar até que o sol surgisse, nada durava mais que algumas horas.
Faz tanto tempo que tudo aconteceu e eu ainda carrego a saudade dos seus gemidos. Fico a me perguntar porque ninguém podia saber sobre nós. Será que o que fizemos era errado? Mas se deixássemos esta vontade desaparecer, como descobririamos tantas coisas novas? Talvez nada disso fosse errado se estivessemos ligados de alguma maneira, mas não éramos mais que jovens imprudentes brincando com seus proprios sentimentos, apenas nossos corpos que desejavam um ao outro, atraindo-se, desejando-se, odiando-se.
Os gemidos e sussurros não podiam ser ovidos por ninguém. mas de qualquer forma eu só queria que você os escutasse, os provocasse, ninguém somente as paredes eram nossas cumplices, presenciando, caladas, o prazer preencher aqueles espaços vazios, somente as sombras da lua cuidavam de nossos desejos, nos amparando em nossos anseios, somenteo o segredo nos dava porto seguro para nossas aventuras cheias de dúvidas.
Quantas brincadeiras nós fizemos? Quantos jogos nós jogamos? Quantas vezes rimos e choramos? Quantas carícias nos deram prazer? Quantas vezes você me fez querer? Quantas vezes eu te dei prazer? Será que deveríamos ter feito tudo daquele jeito tão escondido, tão intenso? Será que deveríamos ser tão imprudentes? Eu sei que você se preocupa com o que as pessoas pensam e tem certo receio do que os outros dizem, mas não há vergonha alguma em querer ser livre, margear um rio sem medo de nele se aventurar, correr descalço sem se machucar, porém, se não vê quanto é fácil viver, então ainda não pode me entender.
A primeira vez que você ousou querer me usar eu estremeci, tive medo de suas atitudes, achei que era apenas mais um jogo seu para me ferir, embora eu já esperasse que você fosse querer, me tomar para si, só por diversão, a verdade é que eu também queria ter você em mim, experimentar seu veneno doce e lhe proporcionar prazer. Enquanto descobríamos o corpo um do outro eu ia aprendendo a desejar aquilo que não podia ter, ter meus sonhos afundados e pregados ao chão, conhecendo a realidade e a necessidade humana. Aprendi a não cobrar aquilo que não existe, a não chorar lágrimas sem sentido, a não rir sem sentir riso. Eu apenas queria, por aquele instante tão curto e frenético, completar-te.
Jogada na cama, no banco do carro, no sofá, no chão, sentada, deitada, vendada, amarrada, calada, olhando, tocando, provocando, gostando, sorrindo, abrindo as cartas, adivinhando o desejo, rindo das suas caretas, ficando com vergonha, assim foram os jogos de sedução, eles nos faziam rir, mas eu já chorei, eles nos empurravam, nos arrastavam para cada vontade pervertida que pudéssemos imaginar, e a minha imaginação sempre me traiu.
Será que você gostou? Será que quis mais? Será que em algum momento você foi capaz de ouvir meu coração pulsar? Será que você me escutou quando eu te chamei fervendo de desejos, como uma gata curiosa? Eu quis, mas e você? O que você queria? O que você quer? nunca perguntei o que você sentiu, naquele tempo isso me pareceu sem importância, porém, hoje, fico a me perguntar estas coisas, as perguntas ressoam na minha mente e eu sinto um pouco de culpa. Será que fui eu que te usei?
A única coisa que sei é que estou aqui, sentindo um calor me destruir, desejando seu corpo, desejando um pouco do seu carinho, queria amar cada parte das suas perversões e realizar os seus, os meus, desejos, isso me faria tão bem, mas você está no meu passado, viveu e morreu na minha história, então, eu só posso dizer que um dia eu gostei tanto de você....
quarta-feira, 25 de março de 2009
Inicio e Fim
Sabe o quanto dói esperar pelo olhar acolhedor de alguém? Sabe onde dói mais na ferida? Provavelmente você já tenha experimentado está sensação, mas mesmo assim, você me manipula esquecendo que eu também sinto. Você acreditou mesmo que este seu jogo duraria até você se cansar de mim? Você achou mesmo que eu iria aceitar as regras sem hesitar? Eu não sou seu brinquedo que o consola nos momentos de fraqueza e sorri quando todos choram então: ou olhe nos meus olhos ou me deixe em paz.
Diante do seu olhar de vidro, aqueles que refletem meus sentimentos tão indiferentes, posso ver o quanto estou presa ao seu ser, sou prisioneira da curiosidade de te conhecer. Mas isso já não é capaz de me satisfazer, não consigo mais disfarsar a verdade. Quando ouço sua voz ainda me arrepio, mas a esperança de ser tocada por suas mãos com carinho já não existe mais, não quero mais pensar que basta um leve movimento seu para que o meu mundo gira, isso ainda me irrita. Então: ou me sinta como sou, ou não chegue mais perto de mim.
Não me importo com o que você quer ou espera de mim, já estou exausta de tanto acreditar nas ilusões que você criou várias vezes, a fé não é minha maior crença e as minhas virtudes são apenas a impaciencia e a inconstancia de um ser cansado de ser manipulado e domesticado por desejos alheios. Então por que insisto em querer tanto uma única coisa? Isso não importa mais! Ou você me aceita como sou, ou mude você, porque não serei aquela princesa dos seus sonhos, não aprendi a ser tão conhadora e indefesa. Eu caminho contra o vento para sentir a brisa cortar o meu rosto e nado em mares abertos para desvendar os seus mistérios, não quero ser como todos os outros.
Neste momentos estou apenas esperando a sua recusa para poder voltar a viver livre como sempre fui, então, por favor, diga-me "não" mais uma única vez.
As suas mentiras, que nutrem esta minha alma tão desprendida e ferida pelos olhares alheios está matando aquilo que eu tanto prezo: a minha certeza de que posso caminhar sozinha. Eu já pedi para que você mentisse para mim tantas e tantas vezes, mas não tenho mais força para acreditar naquilo que não posso sentir.
Chega de me ferir com seus beijos, de chorar com seus carinhos, de soluçar com suas palavras que não possam de um jogo que me cativou. Eu sei: já perdi esta partida. Vamos começar um novo jogo?
quinta-feira, 5 de março de 2009
O corredor...
Por favor, quando você sair por esta porta, leve meu coração com você, porque ele já não me pertence mais, ele já não me serve para nada porque não preciso dele quando não estou com você e mesmo que você nunca mais volte, mesmo que não olhe para trás e que apague minha imagem de sua memória, ainda sim , leve meu coração, porque assim, de alguma forma, ainda estarei ao seu lado.
Sentada naquele corredor escuro, como uma rosa despedaçada em dias frios, chorando sentimentos escondidos deixando as emoções vazarem pelos olhos cansados de tanto esperam por alguém que nunca vai voltar, eu desejo intensamente ouvir sua voz fraca acariciando-me, dizendo qualquer desculpa para que eu possa perdoar. Lembrando do exato momento em que mandei você embora daquele jeito, exigindo que saísse de uma vez da minha vida, eu sabia que iria ser assim: eu gritando, você berrando, eu chorando, você partindo. Mas a culpa não foi só minha; você feriu meu orgulho e sabe disso.
Por favor, quando você descer as escadas a passos largos, com pressa e sem voltar o olhar para trás, leve meu coração com você. Eu não me importo que seja você quem vai levar, eu não preciso dele quando não sinto você aqui, ao meu lado, segurando a minha mão. Isso, na verdade, me irrita, você me irrita com esta sua atitude egoísta de não se impostar em arrastar meu coração escada abaixo, mas o que mais me irrita é saber que eu quis que fosse assim, acho que choraria se você recusasse meu coração.
Olhando para este longo corredor, parece que estou diante de um mundo que desconheço completamente. É quando percebo quanta falta seus carinhos e palavras abusadas me fazem, aqueles sentimentos nunca ditos, mas sentidos parecem preencher cada espaço do meu desejo de tiver mais uma vez. Aquela sensação de prazer, as vontades pervertidas, os anseios corrompidos, tudo jogado pela janela do décimo terceiro andar, arremessados num vedavam de sexta-feira treze.
No corredor, cheio de portas trancadas, de coisas guardadas em caixas mal empilhadas, de pensamentos perdidos entre uma falha no assoalho e outra, de ilusões que vagam pelo vazio e o pó do ar, eu ainda choro. Por que você não me perdoou como sempre fez? Será que eu lhe fiz tão mal assim?
Quando você trancou mais uma porta deste imenso corredor em que vivo, fechou para sempre meu coração com você! Mas não tem problema, eu não preciso do meu coração se não é para te amar.